Elas operam em escritórios modestos em Manhattan, mas têm sites provocantes na internet em que apresentam estrelas pornô e prostitutas internacionais. Algumas oferecem garotas para encontros em qualquer lugar do mundo por até US$ 50 mil num fim de semana. Elas conseguem rapidamente colocar clientes abastados – de Wall Street, Hollywood, do esporte – em contato com mulheres belas e elegantes. Os bordéis cibernéticos de Nova York estão fazendo uma montanha de dinheiro.
Os investigadores estão descobrindo mais e mais desses negócios altamente lucrativos. “A clássica loura que mora ao lado. Victoria é uma garota que deixa qualquer um à vontade”, diz o verbete do site. “Sua silhueta perfeita e seu charme formam uma combinação que irão derreter seu coração.” NEGÓCIO PRÓSPERO Martin Ficke, chefe da Polícia de Imigração e Alfândega dos EUA em Nova York, diz que o comércio sexual internacional via internet está fazendo quantias “inacreditáveis” de dinheiro. Tradicionalmente, seu departamento cuida de círculos de sexo com crianças pela internet. “Agora estamos encontrando um grande enfoque no comércio sexual de adultos.” Esse tipo de negócio prospera por várias razões. Além de terem custos fixos baixos, a internet confere anonimato virtual aos clientes e dá àqueles que operam os negócios uma forma fácil de verificar os antecedentes dos clientes. O fluxo de mulheres estrangeiras nos negócios de sexo tem gerado crimes de imigração.
Agentes federais dizem que prostitutas vindas da Alemanha, Hungria, Romênia, República Checa, Rússia e Austrália vêm aparecendo na cidade. Está em andamento uma série de investigações relacionadas com bordéis cibernéticos. As autoridades estão examinando cartões de crédito de mais de 5 mil clientes, que poderão enfrentar acusações relativas a impostos, títulos e prostituição. Em abril, agentes “estouraram” uma firma chamada New York Elites, comandada por Elena Trochtchenkova, de 41 anos, nascida da Ucrânia e moradora do Queens, e seu namorado, Rady Abdel Salem Abbassy, de 45 anos, que é do Egito e morava no Brooklyn. O caso, que gerou confissões de culpa no tribunal de Manhattan relacionados com prostituição, lavagem de dinheiro e violação das normas de imigração, começou depois que um diplomata americano na Austrália foi informado que algumas aeromoças estavam viajando para Nova York para trabalhar como prostitutas, às vezes contra a vontade.
Descobriu-se depois que elas não eram coagidas. Mas os investigadores começaram a se aprofundar no caso e descobriram que, por mais de cinco anos, a New York Elites estava ganhando milhões de dólares com a prostituição internacional. DISPONÍVEL PARA VIAGENS A mulher que disse se chamar Victoria e tem 22 anos registrou seu peso e medidas e disse estar disponível para viagens. Numerosas estrelas pornô também estavam catalogadas. O sistema funcionava da seguinte forma: depois de telefonar para a central telefônica, os clientes em potencial eram investigados para saber se não eram policiais disfarçados. Se fossem “limpos”, escolhiam as garotas que queriam. As mulheres podiam ser trazidas para a área de Nova York ou qualquer outra cidade. Uma escultural prostituta alemã foi trazida da Europa para um encontro de fim de semana que custou ao cliente US$ 50 mil. A faixa de preço pelas mulheres variava de US$ 500 a US$ 1.500 por hora, segundo uma queixa-crime protocolada no processo. Os arranjos de fim de semana muitas vezes rendiam para as mulheres de US$ 15 mil a US$ 20 mil. Os clientes pagavam com cartão de crédito ou dinheiro vivo. Durante os cinco anos de investigação, os agentes descobriram que a New York Elites lucrou US$ 13,5 milhões, que foram “esquentados” em empresas de fachada. As mulheres, anunciadas como modelos ou estrelas pornô, dividiam seu rendimento com a empresa. Mesmo os operadores da central telefônica chegavam a ganhar US$ 70 mil ao ano. Diferentemente das operações de tráfico nos quais as mulheres são coagidas, o negócio da New York Elites era consensual. Isso levou alguns a questionar o motivo de o governo ter levado adiante o processo. Os promotores públicos disseram que esse foi o primeiro caso da história enquadrado na lei que proíbe a prostituição entre Estados sem envolver tráfico, máfia ou sonegação de impostos. Nas últimas semanas, Trochtchenkova e Abbassy se declararam culpados das acusações de delito federal grave e podem ir para a prisão. Oito telefonistas também se declararam culpados das acusações de contravenção relativa à contratação de imigrantes ilegais.
Veja Também…
Entrevista exclusiva com o Pr. Jeff
















