Diante de um senhor alto e corpulento, vestido com sandália branca e peruca ruiva, é difícil esconder o desconforto. Estou no apartamento de Márcia, conversando com um grupo do Brazilian Crossdressers Club (BCC). O senhor alto de peruca ruiva acabou de se integrar ao grupo, com cognome de Márcia Polari. Tímido, está vivendo as primeiras experiências de sair em público vestido de mulher. Ele é médico, casado, pai de filhos adultos. Diz que costumava montar-se apenas nos Estados Unidos, quando viajava. Comprava roupas íntimas e calçados de mulher no Wal-Mart, trancava-se no quarto do hotel – e ali passava horas imerso em fantasias. Agora é diferente. Desde que conheceu o BCC, tem se “montado” com freqüência. Seu lado feminino está exigindo mais – a ponto de ele se perguntar sobre o futuro de seu casamento. Sua mulher não sabe da vida paralela. Semanas atrás, o grupo de crossdressers contratou um profissional para maquiar a “novata” pela primeira vez. De costas para o espelho, recebeu base, batom e seus olhos foram pintados. Quando a cadeira girou e ele se viu no espelho de maquiagem, soltou um grito: “Esta sou eu!”. Aos 62 anos.
A descrição acima é de um jornalista da revista Época que acompanhou, durante três semanas, o cotidiano de homens que não se encaixam simplesmente no conceito de gays, afinal eles podem ter esposas, filhos e serem profissionais renomados na sociedade. Também não são apenas adeptos do swing – prática em que há troca de casais –, embora tenham relacionamentos extra-conjugais em comum acordo com a parceira oficial. O nome dado aos indivíduos que tem a estranha compulsão que assola cerca de 3% da população mundial – pelo menos de casos conhecidos por especialistas – é crossdressers. No Brasil, o tal BCC, grupo reúne aproximadamente 350 associados, como o senhor sexagenário cuja história abre este post.
Ao contrário dele, entretanto, existe, relatada na revista a história de uma outra “Márcia” (ou Márcio, como queiram) que vive como homem durante o dia, mas, à noite, entra de cabeça no universo feminino e… com o conhecimento da esposa. Os dois garantem que o problema dele não causa nenhum dano ao relacionamento, embora psicólogos digam que as mulheres de crossdressers têm em comum o pavor de que seus maridos se revelem homossexuais. A esposa de Márcio, Priscilla, diz que não é seu caso. Mesmo que ele saia com homens de vez em quando, ela diz “ter certeza” de que ele gosta mesmo é de mulher. Seu hábito incomum é apenas a forma de saciar um desejo escondido.
O assunto é polêmico e pode causar uma mistura de repulsa e compaixão por parte daqueles que se identificam com os ensinamentos que Deus tem nos dado através da Bíblia. Espiritualmente, as coisas são claras quando se trata de sexualidade: Deus criou o homem e a mulher para que vivam um para o outro. O que passa disso é de procedência maligna, ainda que os defensores da causa gay queiram nos taxar de preconceituosos e intentem colocar uma mordaça na sociedade. A inversão de valores é o que causa estas reações, afinal o que era para ser certo, agora virou errado e vice-versa. Mas, nossa missão como cristãos é interceder pela libertação destas vidas. Afinal, você realmente acredita que eles possam ser felizes desse jeito, contrariando a ordem natural que o Senhor estabeleceu?
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Site do Brazilian Crossdressers Club
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